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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Como não afugentar pretês ou como não entrar em barco furado

Acho o filme Como perder um homem em 10 dias delícia de ver, comédia gostosinha e engraçada, e em resumo ele quer dizer: quanto mais você grudar, mais ele corre. Outros filmes já foram lançados depois com esse mote: Ele Não Está Tão a Fim de Você e agora A verdade Nua e Crua.

Ele Não Está Tão a Fim de Você não é tão bom de roteiro (dizem que o livrinho que o gerou é mais divertido) quanto Como perder um homem em 10 dias, bem mais divertido de assistir e com diálogos melhores, mas acho que todas as mulheres e minhas muitas amigas que me afirmam viver dando cabeçadas deviam dar uma checada nas dicas que o cara da pra mocinha. Já para a parte em que ele se apaixona por ela, esqueçam; só acontece em filme, ok? Essa história de que homem está fugindo de relacionamento sério e por isso fica a procura de digamos, moças mais fáceis (isto é, sexo) é história pra boi dormir. Eles também querem se apaixonar tanto quanto elas, só ainda não acharam a moça certa, ou seja, aquela que bateu (o que é a certa? Ah! Aí cada um tem seus padrões) e enquanto isso se divertem com as outras e obviamente a sociedade não os condena, já nos seriamos uma putas imperdoáveis, ? (dica: divirta-se, mas seja bem discreta).

A verdade nua e crua tem o lindo Gerard Butler (quem não se lembra da bundinha dele aí em 300 dê um jeito de ver, esqueçam o Santoro que tá horroroso no filme) e muitas risadas, pros machos tem a bela Katherine Heigl (a Izzie de Grey’s Anatomy) e uma ótima sessão de risadas. De acordo com os amigos homens em uma sessão de cervejas é tudo verdade, menos a cena do corredor, que foi colocada ali pra pegar mulher. Segundo eles, mulher se derrete naquela cena e homem não faria aquilo nunca, os espécimes consultados não eram ogros, mas moços sensíveis que até escrevem declarações de amor e coisa do tipo, só são ligeiramente ranzinzas (não dá pra ser perfeito, ? Mas as namoradas os amam mesmo assim, eu acrescento em favor das santas criaturas,isto é, as namoradas deles).

Mas como não afugentar os pretês, aliás, como reconhecer o barco furado antes de entrar nele:

1) Segundo entrevistas com amigos ou eles se apaixonam de cara, ou não vai acontecer mais, esse negócio de um de ele acordar e se dar conta de que te amou a vida toda e nunca notou é só em filme e novela.

2) Se eles se apaixonaram de cara, de um jeito ou de outro, por mais tímido que seja o moço ele vai te chamar pra sair, acredite-me. Pode até ser um jeito meio tosco, manda recado pelos amigos, mas vai.

3) Se ele gostou, ele vai querer repetir a dose. Exemplo: coloque uma caixa de bis ao seu lado e tente comer um só. Entendeu? Não to dizendo que se foi só uma vez você não é gostosa como um bis, você só que você não é o bis dele, . Tente levar isso da forma mais impessoal possível, dói menos, juro. E passa rapidinho e a fila anda. Praticidade é tudo na vida.

4) Ele liga, manda sms, sinais de fumaça, whatever, no dia seguinte primeiro, ok? NUNCA VOCÊ! Não, ele não está ocupado demais e esqueceu, se já deu mais de 12 horas e ele não ligou, esqueça. Mas esqueça mesmo! Deleta a criatura da sua vida. Se ele ligar daqui a uma semana é porque não achou outra para sair ( eufemismo fofo pra comer). É, a verdade dói. Se você topar vai ficar sendo a agenda dele pra sempre, até ele achar A mulher. Aí ele te esquece. Nesse meio tempo ele vai sumir e aparecer mil vezes e até pode fingir que tem ciúmes, talvez até tenha, mas não é de você, é ciúmes de talvez perder o brinquedinho. E não, isso não é amor e ele não vai se apaixonar por você. Lembrando, homem apaixonado não liga de vez em quando.

5) Dou ou não dou no primeiro encontro? Depende. Tudo depende. De como você encara isso e de como o cara encara isso. Respeite a si mesma e os seus limites. Agora esperar um mês, sei não..acho que jogo duro tem limite e você não é a última mulher da face da terra. Meio termo faz sucesso. Mas na boa, sou contra a técnica do provocar até o cara não aguentar mais se você não for MUITO, mas MUITO boa na hora de mostrar serviço. prontofalei.

6) Ele ligou, mas depois sumiu. Homem interessado, apaixonado, não some. Simples assim. Ele está trabalhando e blá blá blá...olha, eles mesmo assim dão um jeitinho de dar ao menos um oi, viu? Pare de ficar dando justificativas e acorde. E parta pra outra, isto é, outro.

7) Se não sabe brincar não desce pro play, ou, se quer amor não dê sexo. Se sabe fazer sexo sem se envolver e é mesmo liberada, ótimo. Só não banque essa pose se isso for só exterior e por dentro você se corroer de expectativas. Nunca dê amor querendo sexo, porque homem separa as coisas. Ele pode transar com você e vir a se apaixonar? Pode ser como também pode ser que não. Se não aguentar a rejeição depois, ou seja, se não aguenta brincar de sexo, não faça enquanto não tiver certeza do que quer. Só o faça quando for namorar, acho emocionalmente mais saudável e mais maduro do que bancar a liberal.

8) Todas as outras dicas seriam variações dessas...e se acabar a relação acabou, mas o mundo não, e lembre-se: homem é como biscoito, atrás de um tem mais 8.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Empatia

A Wikipédia nem sempre é um primor, mas o conceito de empatia nela, está bom para usar aqui neste blog, que não pretende nada mais que ser um desafogo das coisas que vão pela minha cabecinha cheia demais. Lá ela está definida como: “O estado de empatia, ou de entendimento empático, consiste em perceber corretamente o marco de referência interno do outro com os significados e componentes emocionais que contém, como se fosse a outra pessoa, porém sem perder nunca essa condição de “como se”. A empatia implica, por exemplo, sentir a dor ou o prazer do outro como ele o sente e perceber suas causas como ele a percebe, porém sem perder nunca de vista que se trata da dor ou do prazer do outro. Se esta condição de “como se” está ausente, nos encontramos diante de um caso de identificação (1).” Resumindo, empatia é capacidade de se colocar no lugar do outro.

Noto que algumas pessoas fazem isso de forma muito fácil, talvez seja parte uma habilidade inata e parte desenvolvida com o tempo e o olhar sobre as pessoas, principalmente as diferentes de si mesmo. Acho, por exemplo, que na blogosfera a Lola, que comecei a acompanhar faz pouco tempo, faz isso de forma ímpar. Ela escreve de forma simples, acessível a todos, mas com grande embasamento teórico e sempre com um olhar que abrange além dela mesma, ela vê também da perspectiva de quem está de fora da questão que ela coloca.

Acho ainda mais difícil desenvolver verdadeira empatia, isto é colocar-se verdadeiramente no lugar do outro, ao analisarmos questões sociais da perspectiva das pessoas que estão à margem da sociedade. Parem e pensem que reportagens de revista ou TV, só para dar o exemplo, ao citarem a condição da mulher que trabalha fora. Sempre fazem isso do ponto e vista da mulher branca e de classe média. Bom, irão me dizer que é este o público que consome revistas. Verdade. Mas a classe D de acordo com as pesquisas tem tido boa ascensão social, a maioria dos lares brasileiros, mais de 90% se não me engano, possui televisão porque nunca essas pessoas são retratadas de forma fidedigna?

Nas novelas das 8 as empregadas domésticas vivem nas casas dos patrões, vivem suas vidas para agradar às patroas, fazem tudo por elas e estão sempre felizes. Você acha mesmo que quem chacoalha no trem ou ônibus 1 ou 2 horas de manhã e de noite para ir e voltar do trabalho, ganha 1 ou 2 salários mínimos, deixa seus filhos sabe-se lá com quem ou geralmente com ninguém, chega em casa e tem o serviço da própria casa pra fazer, vive feliz? Não, elas não se enxergam como profissionais porque não são respeitadas como tal, são "como se fossem" da família, mas não são da família, e também não são profissionais com perspectiva de carreira. Eu larguei meu emprego em busca de outro em busca disso, de uma carreira digna. Elas não podem. fazer isso, precisam comer, viver. Não estudaram e não foi só porque não quiseram. São tantas dificuldades. Já começa lá no ventre da mãe, com subnutrição, falta de ferro. Também estudam em escolas precárias, ou você acha mesmo que nos rincões do país, embora o esforço sobre humano de muitos professores, a condição de estudo é a mesma que por aqui? E aí vão me dizer, ah, mas fulana de tal conseguiu. Eu sei conheço uma que conseguiu com a ajuda da patroa e óbvio muita dedicação e perseverança, mas o sistema não foi desenhado pra todas conseguirem, ou não teríamos domésticas em casa. Só no terceiro mundo a classe média tem esse luxo.

Outra questão é o negro. Olho pro meu prédio e vejo duas famílias de negros em 72 apartamentos de classe média. Na escola dos meus filhos, que não é das mais caras ou elitizada, nas turmas deles não há sequer um mulato. No nosso clube há somente uma família negra, fica até agressivo ter uma só,num país de maioria negar ou mulata, e são diplomatas! E me espanta ninguém achar isso ruim, isso é sim exclusão social e racial. Acham que é só mero resultado da pobreza. Negro é uma cor de pele, assim como branco, ou índio ou o amarelo, dos orientais. É uma característica humana, que não faz ninguém melhor ou pior, mas faz parte da pessoa e o identifica como indivíduo. Assim como ser alto, magro, baixo ou gordo, homem ou mulher. Mas em nada deveria fazer alguém melhor ou pior. Mas historicamente fez, os fez escravos, seres dominados e explorados e isso deve ser reparado em algum momento de algum modo, ou continuarão a não frequentar o meu clube, por exemplo. A meritocracia não vai resolver esse problema, como eu já disse o sistema capitalista não dá lugar a todos para subirem, isso é ilusão. Só quem foi discriminado sabe como é quanto dói, e quantas chances são negadas. Sou mulher e gorda, sei um pouco, mas posso somente imaginara dor de uma negra e pobre, mas posso.

Também me chocou ao assistir a bela peça Renato Russo ( recomendo) que ao ver as dores do Renato as pessoas riam e eu chorava. Ele sempre se sentiu um adolescente rejeitado, deslocado, diferente. E isso está bem refletido em suas letras que até hoje batem fundo. Talvez ele já soubesse da sua homossexualidade. Assumir foi um ato de coragem, existem cobranças socais e familiares, pessoas riram nesse momento da peça, eu chorava. Assistia da perspectitiva de mãe que sabia que o filho sofria e não sabe como minorar as dores psíquicas daquele ser tão amado. Me chocou a falta de empatai que me revelava aquelas risadas. Ou era um riso nervoso? De quem se reconhecia na dor e não queria se revelar?

Empatia é olhar pro seu porteiro, sua doméstica, a faxineira da sua firma e bater papo e entender a vida que eles vivem, sem criticá-los.É entender que a esposa é sobrecarregada, que o amigo homossexual sofreu par assumir pra sociedade e pra família algo que pra ele é tão íntimo. È saber que existe nesse país preconceito de classe, de gênero e de raça, mas você só vai ver isso se conversar de peito aberto com todo mundo e conseguir mesmo, se colocar no lugar deles. E isso serve pra hora de votar, pra hora de ir para rua brigar por alguma coisa e pra tratar melhor todos a sua volta.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Da arte de entender piadas

Alguém que acho bastante divertido fez uma piada hoje com motos, achei divertida. Como toda piada tem lá seus exageros. A blogosfera há pouco tempo atrás esteve em polvorosa posts pipocaram aqui e ali por causa de dois assuntos tal de lingerie day e uma piada malfadada, e sem graça, do Danilo Gentili sobre negros. As piadas das motos achei divertidas mesmo, não eram sem graça, mas um monte de gente as achou ultrajantes, eram motoqueiros ofendidos.

Não vou entrar no mérito de discutir se gosto ou não de moto, o que me espanta é que pessoas reajam de forma tão virulenta pra defender um objeto, sim você pode adorar, moto associá-la a idéia de liberdade, juventude, vento no rosto, ou praticidade e trabalho (caso dos motoboys), mas moto continua sendo um objeto. Objetos são menos importantes que pessoas, não me importa que façam piada de objetos, mas é tão difícil ver reações iguais as que vi hoje quando fazem piadas com judeus, mulheres, gays, negros e por aí vai. Tem até livros só com piadas pra essas “minorias”. Eu proponho fazer um livro de piada só pra fuscas e outro, óbvio, pra motos.

Sim, eu sou do tipo que acho certas piadas de muito mau gosto e não vejo graça nenhuma. Por exemplo, não consigo achar graça no humor do tipo do filmo Bruno ou no Zorra Total, aquela coisa escatológica. Mas passo mal de rir com o Marcelo Adnet (fora da MTV, que não sou mais teen) ou com os Melhores do Mundo. Também adoro até hoje as música do Ultraje a rigor, todas politicamente incorretas, e por isso mesmo ótimas. Dizem verdades na lata. Meus amigos podem comprovar que sou bem humorada e até metida a engraçadinha. Mas não vou mesmo achar engraçada piadas óbvias sobre mulheres como objeto e que comparam negros a macacos.

Estudei um mínimo de história para entender o contexto social e histórico em que ocorre a piada e aí ele não tem graça, porque historicamente negros, judeus e mulheres foram oprimidos, homens brancos e motoqueiros não. Assim como entendi que o Casseta a zil anos atrás (até tenho a revista) publicou uma página toda de piada de negros, aquelas mais batidas, e prometeu na próxima edição uma página de piadas de judeus exatamente por isso, pra dizer que não tinham a graça. A piada era essa: era tão batido fazer essas piadas que tinha perdido a graça. Fazer piada com minoria era bobo, bora fazer algo mais divertido? Era a proposta. É um recurso estilístico muito utilizado por pessoas medianamente inteligentes e bem informadas chamado ironia, mas que ultimamente me parece que tem que vir com gráfico explicativo.


post que gerou a celeuma http://buzz.globo.com/jacarebanguela/2009/10/21/a-seguranca-de-uma-motoca/

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Como interpretar os jornalões

Ano que vem as eleições terão briga mais feia que de foice, tanto no DF quanto pra presidente. Não sei se é alucinação, mas estou achando os apoiadores de todos os lados bem mais combativos (eufemismo bonitinho pra sacanas). A baixaria já começou faz tempo, nos blogs políticos ou até nos que meramente manifestam sua opinião de vez em quando. Já tive uma amiga poetisa, com belas páginas escritas, que foi ofendida de forma muito baixa porque só manifestou algo parecido com um Fora Sarney.

Mas ao que me parece mesmo é que a classe média que se acha politizada, mas lê o PIG (Partido da Imprensa Golpista, sigla inventada por um leitor do blog do Paulo Henrique Amorim, que este passou a utilizar direto e que pegou) está com muito medo do que ela imagina ser um grande perigo vermelho, aquele tal proletário analfabeto, o Lula. Por PIG entenda Folha de São Paulo, Veja, Isto É, Globo, Band, e congêneres. E podem me perguntar, ué, mas assim não sobra nada; é, que eu me recorde, da grande imprensa não sobra nada mesmo. Já que você é um privilegiado leia o Azenha, o Nassif e outros bons blog independentes por aí, só então você poderá opinar com uma visão mais imparcial dos fatos.

Não, eu não sou petista, não acho fazer caixa 2 desculpável porque todo mundo fez e acho que o mensalão existiu, assim como que FHC comprou votos pra garantir a reeleição. Ou seja, não acredito em santos. Mas noto o preconceito, e admito que levada pela onda quase embarquei nele, contra Lula e principalmente com o medo da ascensão social dos pobres que ele representa.

A questão está aí, ninguém admite o próprio preconceito. Aliás, preconceito no Brasil é palavra mais proibida que sexo; querem nos fazer crer que nunca existiu. Mas existe e esta aí todo dia: existe preconceito de cor, de classe e de gênero, só não vê quem não quer.

O fato é que milhões saíram da pobreza com os chamados programas assistenciais. Argumenta-se que não se deve dar o peixe, mas ensinar a pescar. Olha, caiam na real: para essa população à margem de tudo, não adianta ensinar a pescar antes de dar-lhes um mínimo de dignidade, e no caso isso significa comida, simples assim. Até porque o sistema capitalista não foi feito para permitir a ascensão indiscriminada dos pobres, ou ele não existiria. A única forma de redividir a riqueza é alguma intervenção do Estado para ajudar os que estão à margem.

Parem de acreditar em meritocracia pura e simples e na auto-ajuda. Isso funciona para classe média que pode lutar de igual pra igual. O Will Smith conseguindo chegar ao topo no filme Em Busca da Felicidade é a exceção da exceção. O sistema capitalista não dá espaço para todos subirem, e ponto. Auto-ajuda e meritocracia são palavras ótimas para te fazerem acreditar que o incompetente é só você e que você não tem que lutar contar uma correnteza enorme e suja para chegar a algum lugar. Esse individualismo todo só enfraquece e tira a razão de ser de todos os movimentos sociais, faz parecer que quem adere a eles é um boboca idealista iludido que não sabe que o muro de Berlim caiu.

Bom, a gente sabe sim, e ainda bem que caiu. Mas o que as pessoas que querem dividir o seu pedaço do bolo querem, eu repito, é um mundo melhor pra todos, inclusive para elas mesmas e seus filhos. Queremos um futuro menos violento e injusto, e para isso a gente lê o PIG, mas só pra saber que devemos abrir o olho, e pensar justamente o oposto.

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